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13 de Outubro

13.10.21

(...)

O facto de ter as suas raízes na memória determina o reduzido alcance do pensamento. Ao desejar transcender os seus próprios limites, ele se torna meramente especulativo, fantasioso e destituído de significado. É vedado ao pensamento descobrir algo além dos seus limites temporais. E, ainda que decifre o seu próprio enigma, ele é incapaz de penetrar nos mistérios da meditação. Esta, para existir, depende do findar do pensamento. (...)

O cérebro é um instrumento de surpreendente sensibilidade. Incansável na sua actividade de captar, registar, interpretar e acumular impressões, ele não pára jamais de funcionar. Herdando do animal o instinto de sobrevivência e a busca de segurança física, o cérebro tomou-os como base de todas as suas actividades e projecções, tais como deus, a virtude, a moral, a ambição, os desejos, as exigências e os ajustamentos. Por ser extremamente sensível, o cérebro, com a sua capacidade de pensar, passa a dedicar-se ao cultivo do tempo, do passado, do presente e do futuro. Com isto, ele tem a oportunidade de adiar a acção, de buscar a satisfação, de perpetuar-se através da busca do ideal e do preenchimento. Daí nasce a dor, a fuga na crença, no dogma, no misticismo, em toda a actividade e nas múltiplas formas de entretenimento. A morte e o medo estão sempre presentes, obrigando o pensamento a buscar alívio e refúgio nas crenças, na esperança e nos conceitos, racionais ou irracionais. A verbalização e as teorias adquirem grande importância, servindo de base ao quotidiano e suscitando sentimentos e pensamentos condicionados. Por mais que se julgue profundo, o pensamento actua num âmbito bem estreito da vida. Seja ele hábil, seja experiente ou erudito, o pensamento é superficial. Como parte do todo, o cérebro, com a sua incessante actividade, valorizou-se demais perante si mesmo e dos restantes fragmentos. Por serem a desintegração e a contradição suas características essenciais, é ele incapaz de perceber o todo. Acostumado a reagir e a pensar em termos de opostos, o cérebro vive até hoje no conflito, na confusão e no sofrimento.

O pensamento não pode compreender a vida integral. Essa compreensão nasce da absoluta imobilidade do cérebro e do pensamento, sem estar ele adormecido, embotado, pela disciplina e compulsão, ou hipnotizado. Extraordinariamente sensível, o cérebro pode permanecer imóvel e quieto sem que isto implique perda de sensibilidade ou capacidade de penetração. Surge o insondável mistério do incognoscível quando o tempo e a medida cessarem de existir.

Krishnamurti, Diário de Krishnamurti

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