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13.05.21

Tudo o que viveis estais roubando da vida: e às expensas dela. A contínua obra da vossa vida é construir a morte. Estais na morte enquanto estais em vida, pois estais depois da morte quando não mais estais em vida. Ou, se assim o preferis, estais morto depois da vida, mas durante a vida estais morrendo, e a morte toca bem mais brutalmente o moribundo que o morto, e mais viva e mais essencialmente. Se da vida tirastes proveito, estais saciado; ide-vos satisfeito.

(...)

A vida não é em si nem bem nem mal: nela o bem e o mal têm o lugar que lhes dais. E se vivestes um dia, vistes tudo: um dia é igual a todos os dias. Não há outra luz nem outra noite. Esse Sol, essa Lua, essas Estrelas, essa disposição é esta mesma que vossos antepassados desfrutaram e que há-de entreter vossos tataranetos.

(...)

Porque temeis o vosso último dia? Ele não conduz à vossa morte mais que cada um dos outros. O último passo não vos traz a lassidão: revela-a. Todos os dias levam à morte: o último a alcança. Eis as boas advertências da nossa mãe Natureza.

Michel de Montaigne, Ensaios

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13.05.21

Como sou homem que continuamente está incubando seus pensamentos e guardando-os dentro de si, a qualquer momento estou preparado, tanto quanto possa estar, e nada de novo me anunciará a chegada inesperada da morte. Devemos estar sempre com as botas calçadas e prontos para partir, tanto quanto de nós dependa, e sobretudo nos precavermos para que então só tenhamos de tratar connosco mesmos. (...) Desligo-me de tudo: as minhas despedidas de cada um estão quase feitas, excepto de mim. Nunca um homem se preparou para deixar o mundo mais pura e plenamente, e se desapegou mais completamente do que eu tento fazer. As mortes mais mortas são as mais saudáveis.

Michel de Montaigne, Ensaios

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13.05.21

É incerto onde a morte nos espera, aguardemo-la em toda a parte. Meditar previamente sobre a morte é meditar previamente sobre a liberdade. Quem aprendeu a morrer desaprendeu a se subjugar. Não há nenhum mal na vida para aquele que bem compreendeu que a privação da vida não é um mal. Saber morrer liberta-nos de toda a sujeição e imposição.

Michel de Montaigne, Ensaios

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