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Coloquemos as coisas assim: o Ser existe sempre. Está lá, nos diferentes estados de consciência por que passamos diariamente. No sono profundo, quando não sentimos o corpo nem a mente se ocupa com imagens - pelo menos, aparentemente, está ela em inactividade – estamos num estado de paz e felicidade, ausentes as preocupações, do mundo desligados. Embora nada sintamos nem pensemos continuamos a existir, porque, caso contrário, não voltaríamos ao estado acordado. Ao acordar a consciência surge nessa Consciência que sempre esteve lá, sem nome, sem forma, inexplicável, quiça sempiterna. Reaparecem as noções de, os problemas tais, as obrigações ordinárias, os conflitos com, as urgências para, o senso de um “eu histórico”, uma narrativa continuamente a ser escrita na alva página desse Ser que independe da personalidade-roupagem que para nós reclamamos e aos outros mostramos. Se, vindos do sono profundo, ao acordar direccionarmos a atenção para o estado de paz que ele (o sono sem sonhos) permite - ao invés de rápida e apressadamente vestirmos a indumentária dos afazeres, das preocupações, das redes sociais, do correr do mundo - continuaríamos nesse bem-estar, mas despertos para o que o dia nos traz. Dormir acordado, aqui, não significa inactividade, passividade nem desresponsabilização. Faz-se o que sempre se fez – com uma diferença capital: continuamos envoltos em tranqulidade, mais ligados à folha, a página em branco, do que aos borrões que vamos tentando converter em palavras e verbos, essas acções nem sempre oportunas, correctas, racionais ou coerentes e que não raro nos inquieta - quando não adoece.