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Perdi-me nas teias do visível.
Respirei de mais.
Abracei todos os fantasmas que me formaram gente.
Toquei a morte – e por teimosia regressei.
Tinha de cuidar – de ti.
E (ainda) precisava de ouvir o ranger do mundo, velho soalho dos meus
peregrinos pés.
Sustenho dentro o ar
:
pesado.
Há coisas (ainda) a esquecer. Por elas sonâmbulo caminho.
C o n t i g o.
Deitar-nos-emos sob a mágica abóbada, na névoa do esquecimento cansados, sobre o húmus fértil da Vida. E Despertaremos nesse outro lado
:
das coisas Invisíveis.
Sinto o medo a esvair-se das feridas abertas em carne. Plácido, encaro a divindade luzindo na flor que encontra o meu olhar. Na cauda do pensamento surge um sossego invulgar. Pacifico a estranheza da dormência do corpo. Sinto tudo: mas abstractamente. Ouço-me na fala dos lábios que sabem a-mar. É quente, este ar que me respira. Flutuam ao acaso ideias de gentes e lugares, espíritos desta Natureza que me afaga. Reconheço nas nuvens pretéritas formas e símbolos, farrapos das histórias que por mim passaram, e entrego-me ao luar: que virá.
Bernardo Oliveira, Luar