Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Aberto por uma bala
de fora para dentro. Como um olhar de Deus,
ou da paisagem,
até à raiz do nervo de que vivo todo.
Aberto, descoberto.
Ou fechado inteiro para sempre.
E ao furo imaginário queimado
reflui o sangue do mundo.
O nó mais duro, o puro nó da carne
– o centro.
Furioso fulcro do espírito.
É aí que penso.
Por onde falo ainda tão depressa
que ressuscito, ardido.
Herberto Helder, Aberto por uma bala
Tudo já se cumpriu e tudo é novo.
Tudo está por fazer, pois nada existe,
ainda. Não há mais estradas que as que
os teus pés vão abrindo, e o vento apaga
logo, farejador, cão do teu rasto.
Pelos marcos solenes que te apontam
os caminhos de qualquer fé que seja,
suspendem-se, enforcados, verdadeiros
enganos. Onde, alegre, te acene
nada, mas nada, é esse o teu caminho!